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| A cidade vista do Hotel Ramada |
Para os padrões iraquianos, onde algumas cidades tem 6.000 anos de história, Sulaymaniyah é uma cidade jovem. A cidade foi fundada em 1784 por Ibrahim Pasha Baban, um príncipe curdo, para ser a capital de seu principado. Desde então a cidade tem acolhido poetas, escritores e intelectuais, tornando-se a capital cultural do Curdistão iraquiano. Sua importância, no entanto, não se limita apenas ao Iraque, mas também a toda a região do Curdistão, que abarca também partes do Irã, da Síria e da Turquia.
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| Lago no Parque Azadi |
Também conhecida como Slemani, a cidade atraiu linguistas e escritores de idioma sorani, uma das línguas curdas – e aqui desenvolveram sua literatura. Hoje, esses escritores e poetas são reverenciados com estátuas e bustos espalhados pelos parques e praças da cidade.
A população daqui tem fama de ser mais liberal e tolerante que no resto do Curdistão, algo que pessoalmente pude perceber nos poucos dias que estive pela região. O que me deixou surpreso no Curdistão, mas principalmente em Slemani, é que as mulheres parecem mais independentes e decididas. Enquanto no mundo árabe elas são mais quietas, ofuscadas em público pelos parentes do sexo masculino, nunca conversando com homens estranhos, pela primeira vez em um país muçulmano fui abordado na rua e restaurantes. Ponto para o Curdistão.
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| O bazar |
Sobre a cidade, o guia Lonely Planet a descreve como uma “jóia cosmopolita” e um “local para ser descoberto antes que cheguem multidões de turistas”. Achei a cidade interessante, com seu encanto, mas com tais afirmações, imagino que o autor do guia deve ter fumado alguma coisa que, com certeza, não era shisha. 🙂 Do ponto de vista de um visitante, a cidade tem poucos lugares de interesse turístico.
O coração da cidade é a parte antiga, que apesar do nome, achei bem moderna. É ali que se encontra o bazar da cidade, que é enorme, ocupando vários quarteirões, e muito, mas muito movimentado de manhã à noite. Não tem nada a ver com o bazar de Istambul, é mais como um mercadão ao ar livre, lojinhas daquelas que só se via na terrinha até os anos 70, no máximo começo dos 80. Vendem frutas, legumes, roupas, ferramentas, materiais de construção. Apesar disso, é muito interessante. No meio do bazar está a Grande Mesquita da cidade, que acolhe visitantes, porém não é permitido tirar fotos. Nessa área encontrei vários restaurantes familiares com excelente comida.
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| A Grande Mesquita de Sulaymaniyah |
Sulaymaniyah possui alguns museus, mas dois merecem uma visita obrigatória. O primeiro é o Amna Suraka, o museu dos crimes de guerra, onde Sadam Hussein torturava militantes curdos.
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| Tanque usado nos confrontos dos anos 90, no pátio do museu Amna Suraka |
O outro é o Museu Slemani, com artefatos arqueológicos escavados na região, alguns com cerca de 100.000 anos! É o museu mais importante de todo o Iraque, já que o Museu Nacional do Iraque, em Bagdá, está fechado. A entrada em ambos é gratuita, e no Amna Suraka a visita é com um guia local.
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| Objeto em exposição no Museu Slemani |
Também visitei o maior parque da cidade, o Parque Azadi, ou Parque da Liberdade, a poucos minutos a pé da parte antiga. Ocupa uma área enorme e possui uma bandeira gigante do Curdistão logo na entrada. Por lá existe um pequeno campo de oliveiras, dois lagos artificiais, playgrounds e muitos casaizinhos fazendo coisas que os pais não vão gostar, como andar abraçadinhos.
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| O Parque Azadi |
Mas meu parque favorito foi o Bakhi Gishti, incomparavelmente menor, mais central, mas com mais vida. Lá, dia e noite, você vai encontrar várias pessoas tomando chá, batendo papo, músicos tocando música curda e pop americano, tudo isso no meio de um corredor decorado com bustos de poetas e intelectuais curdos.
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| O Parque Bakhi Gishti |
Infelizmente é muito raro encontrar alguém que fale inglês, ou mesmo árabe, o que transofrmou minha viagem solo em uma viagem solitária. No meu último dia, porém, encontrei o Hozhar num café. Aos 18 anos, ele foi embora para a Grécia a pé, dormindo na beira da estrada durante o dia, e fazendo seu percurso à noite. Seu inglês é excelente e ele me levou pra conhecer alguns locais que eu jamais descobriria sozinho. Um deles foi um bar – bar de verdade, nada de local de garotas de ocupação duvidosa! Quem diria que no Iraque eu encontraria um bar vendendo bebida alcóolica durante o dia? Tomamos uma cerveja e trocamos idéia. Nas minhas viagens costumo encontrar pessoas interessantes, hospitaleiras, e ele realmente extendeu me extendeu um tapete vermelho, o que me deixou um pouco sem-graça, mas não menos grato. As horas passaram muito rápido e ele ofereceu pra me levar à estação onde eu pegaria meu táxi para Erbil.
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| Despedidas fazem parte da vida de um viajero |
Visitar mercados, museus, parques, prover comidas típicas são sem dúvida uma ótima maneira de conhecer um lugar e vivenciar sua cultura. Mas para mim, a relação com as pessoas locais leva a experiência a uma outra dimensão, e todos que encontrei nesta viagem, inclusive os que só falavam curdo, tornaram essa viagem importante. Afinal de contas, gente também é cultura, concordam?
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Outros Posts:
Pretendo ir em sulaymanyah, no mês de agosto ou julho deste ano. Há risco de vida par o turista, ou nesta cidade não tem conflito.
Por favor responda-nos meu e-mail.
Oi Elias, tudo bem? Olha, na época em que fui não havia risco nenhum, mas isto está mudando, já que o ISIS está bem mais próximo do Curdistão. Se houver risco, seria igual para os locais e turistas, mas turistas são como um troféu. Se você não tiver urgência de ir lá, melhor esperar até que a situação na região melhore.
Oi Pedro!
Tudo bem? Em primeiro lugar parabéns pelo relato!
Pretendo ir ao Kurdistão Iraquiano no mês que vem para participar de um documentário. Sou fotojornalista e jornalista e vou com uma equipe de europeus e iraquianos. Por acaso você sabe quais são as burocracias para brasileiros conseguirem vistos de um mês na região?
Obrigada
Abraço!
Oi Fabíola, tudo bom? Fui por terra e barrado na chegada ao Iraque, pois as informações que obtive sobre a entrada de brasileiros no Curdistão Iraquiano estavam incorretas. Só consegui entrar porque tenho outro passaporte. Se sua intenção for chegar por terra, você terá que pedir um visto do Iraque, seguindo as regras de Bagdá. Se voar para o aeroporto de Erbil ou Sulaymaniyah, pode pegar o visto no aeroporto, válido por 15 dias apenas.
Sou brasileira e estou pretendendo casar com um curdo ha finalmente eles são católico.
Boa noite , gostaria ir em sulaymanyah, nos próximos meses deste ano. Ainda há risco de vida para os turistas? Você sabe algo a esse respeito? Vi em um outro post anterior que você entrou com seu passaporte europeu… eu só tenho o brasileiro. Como fazer para conseguir o visto? Ainda esta difícil para conseguir?
Por favor responda-no meu e-mail.
Oi Elaine, não sei como conseguir o visto com passaporte brasileiro, pra ser sincero. Não aconselho ir lá agora, as coisas estão muito complicadas.
Que mundo pequeno ein? Eu conheço essa loja de frutas e sucos aí na foto q vc tirou, é de um amigo meu kkkkk
Hehehe mundo pequeno, mesmo! 🙂
Oi Pedro, estou querendo ir ao Curdistão, tenho dúvidas sobre a moeda de lá, quanto mais ou menos em reais eu precisaria para passar uma semana lá incluindo hospedagem, alimentação, táxi. Minha preocupação é porque sou gay, posso ter problemas caso eles percebam que sou gay ? Você poderia me dar seu WhatsApp e e-mail para tirar mais dúvidas ? Muito obrigado
José Soares
Oi José, tudo bem? Olha, com relação a quanto levar, tudo depende do seu estilo de viajar. Uma média de 70 dólares por dia é uma boa média. Com relação a sexualidade, ninguém vai se importar com isso. Se você for muito afeminado, vai ter a mesma reação que tem no Brasil. Abraço!