Cheguei no Kuwait à noite e fui direto para o hotel. Vinha de Muscat, capital do meu país preferido no momento, onde o calor já era insuportável. Mas o calor no Kuwait também era exagerado. Fui direto para o hotel e ali fiquei até o dia seguinte. Meu hotel era próximo à corniche (avenida beira-mar) e em cinco minutos já estava na praia. Mas chegar ali foi um sufoco, pois o calor era de 41 graus Celsius/106 Fahrenheit e a humidade era muito alta, o que tornava o curto trajeto uma verdadeira via crucis.
O mar azul-esverdeado era muito convidativo, mas fui obrigado a resistir à tentação e fui almoçar num restaurante ali perto. Após o almoço, dei uma parada pra tirar fotos das Kuwait Towers (ou as Torres do Kuwait), principal cartão postal da cidade. Infelizmente elas estavam fechadas ao público por motivo de reforma.
De lá, fui até a avenida e peguei um táxi para o centro. Aziz, o taxista, era sírio, 40 anos, casado e pai oito filhos. No caminho ao souk (mercado) ele me contou como era a vida na síria antes do conflito, e falava com alegria de seu alívio por ter conseguido levar sua família para morar com ele no Kuwait no ano passado.
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| O comediante kuwaitiano Adnan |
Chegamos ao souk por volta da uma da tarde, e muitas das lojas estavam fechadas. Então fui a uma rua de pedestres, de onde se tinha uma vista espetacular da Liberation Tower. e pouco depois um senhor veio falar comigo. Adnan é kuwaitiano, e se apresentou como comediante local, conversamos por alguns minutos e pedi pra tirarmos uma foto juntos, no estilo “biggest fan”.
Alguns minutos depois outra pessoa veio bater papo comigo. Hisham é egípcio, e ficou surpreso, pois só tinha encontrado um casal de brasileiros no Kuwait. Ele é de Asiut, no Nilo, casado com dois filhos, mora na cidade há seis anos mas sua mulher e filhos estão no Egito. Seus olhos brilhavam quando falava da família e do filho pequeno. Também falei de minhas viagens à sua terra e ele ficou muito entusiasmado. Ficamos conversando até perdermos a noção do tempo.
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| O egípcio Hisham |
Quando vi que o papo tinha sido longo, me despedi e voltei ao souk. Mais cedo, com o sol mais forte, muitas lojas estavam fechadas, os vendedores estavam descansando em casa ou mesmo nas lojinhas. À noite o local parecia outro! Por volta das 6 da tarde, quando a temperatura está mais amena (ou menos sufocante) é quando o local se enche de vida. Famílias e mais famílias inteiras andando de lá pra cá com suas compras, senhoras idosas com seus empregados indianos e filipinos empurrando carrinhos de compras, crianças encantadas com bichinhos de pelúcia… O souk da Cidade do Kuwait é muito grande e bem menos turístico que o de cidades como Istambul, Marrakech ou Cairo. Aqui se vê gente local fazendo as compras do dia a dia, de roupas a peixe e legumes, em vez de turistas comprando souvenirs.
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| Uma das casas de chá (e xixa) do souk |
E então vi uma casa de chá típica. Entrei e fiquei ali, extasiado por ter enfim encontrado um dos lugares que mais me atraem no mundo árabe. Um lugar onde a gente local vai se socializar fumando xixa e tomando chá. Um local simples, mas cheio de caráter. Nesses lugares só se vê homens, mulheres desacompanhadas não frequentam essa casa de chá. Mas elas costumam ter uma área separada para casais e famílias. Enquanto esperava minha xixa, cumprimentei um senhor muito idoso estava sentado no sofá ao lado do meu em árabe. Mas quando me viu falando em inglês com o funcionário da casa, disse-lhe que ia pagar minha conta. Claro que fiquei sem jeito, mas a hospitalidade nessas terras chega a ser exagerada, e recusar tal oferta é uma grande ofensa.
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| Mural com cena típica de uma antiga casa de chá árabe |
Ao terminar minha xixa, pedi um vendedor para tirar uma foto minha e novamente começamos a bater papo. Eram dois yemenis e um egípcio, que me ofereceram café árabe e damascos. Mais uma vez ficamos conversando.
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| Os quatro fantásticos: posando com os vendedores yemenis (de branco) e o egípcio Ahmed |
Cerca de uma hora mais tarde voltei ao hotel, ao conforto do ar condicionado. Afinal, mesmo à noite, a temperatura era dos 40 graus. Agora era só me refrescar e me preparar para mais um dia quente. Quente, quente, quente!!!
Pra quem é do rio de janeiro já está acostumado com o calor rs rs,gostaria de conhecer a terra de israel alguns amigos já visitaram tiveram boas impressões.
Cara, olha que o calor do Rio não é nada em comparação ao do deserto, viu? Israel é muito bonito, tem post de lá em breve aqui no blog!