Enfim cheguei ao Iraque! Mas não é de se estranhar que meus amigos estão dizendo que desta vez exagerei no destino escolhido. Iraque sim, por que não? Bem, existem mil e uma respostas mais que plausíveis para esta minha pergunta. Mas vejamos bem, cheguei ontem à noite a Erbil, a quarta maior cidade do Iraque e  capital da Região Autônoma do Curdistão. Não estou em Bagdá. Só um pouquinho pra lá.

Minhas primeiras impressões são positivas e condizem com o que eu esperava encontrar. Apesar dos ataques de setembro deste ano, no qual treze pessoas morreram, inclusive os seis terroristas, você se sente seguro aqui. A polícia está por todos os lados.

Cheguei aqui ontem à noite, como disse, após uma viagem que começou em Batumi na Geórgia, atravessando o leste da Turquia. Viagem esta que durou trinta horas e na qual peguei três ônibus. Assim que entramos no país, passamos por vários postos policiais. Em todos eles, os policiais apenas faziam sinal para o ônibus seguir viagem. Porém no último, a poucos quilômetros da entrada à cidade, o oficial do exército entrou no ônibus e pediu para ver os passaportes. Todos os passageiros eram turcos ou iraquianos, exceto eu e dois sírios. Estes foram chamados pra fora do veículo com suas malas e foram retidos para uma revista mais detalhada, enquanto seguimos viagem. Isso aconteceu porque árabes sírios estão entre os baderneiros na parte árabe do Iraque. O governo curdo quer manter a paz e a segurança na região, custe o que custar!

Hoje fiz um pequeno passeio pela cidade. Erbil foi construída ao redor da Cidadela, que é uma das cidades mais antigas do mundo, pois existe evidência de que tem sido constantemente habitada há mais de 6.000 anos. O trânsito, pelo menos nas áreas onde estive, é muito menos caótico do que nos outros países do Oriente Médio. Transporte público é inexistente, o que não é nenhuma surpresa. Por outro lado, os taxistas parecem ser justos. Aqui não existe taxímetro, portanto você tem que negociar o preço da corrida, e nas duas que fiz, consegui pagar o preço que queria, baseado nas minhas pesquisas. Ou seja, paguei 60% do que me pediam inicialmente.

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Por outro lado, os hotéis podem devorar seu orçamento. O preço de acomodação aqui é bastante alto, e as opções mais econômicas, embora não muito escassas, são muito inferiores ao que se encontra no ocidente. Ah, e é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que encontrar um funcionário de hotel econômico falando inglês! 🙂

Aqui, assim como em qualquer parte do mundo, ou talvez até um pouco mais, todos estão ao celular o tempo inteiro. Mandando mensagens, tirando fotos, jogando, mas falando ao telefone tem tanto. Ou seja, ao contrário do que muitos pensam, aqui não é tão diferente dos lugares da nossa terrinha! As pessoas, apesar da pouca interação até agora, pareceram-me muito agradáveis e gentis. Estive tomando um chá e fumando xixa com um grupo de iraquianos e sírios e, como é comum por estes lados, fui extremamente bem tratado. Principalmente ao dizer que sou brasileiro, pois o povo da região tem um fascínio pelo Brasil, e se turista aqui já é raro, imagine brasileiros! Apesar de meu árabe se resumir a uma meia dúzia de palavras e frases, conseguimos manter uma conversa interessante. Onde as palavras faltavam, os sorrisos falavam.

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18 Comentários

    1. Oi Luis Gustavo! Olha, entrei aqui com meu passaporte europeu, pois com o brasileiro era muito complicado e burocrático. Tenho toda a informação para entrar como brasileiro, e estou preparando um post sobre isso. Fique ligado, pois tem mais posts sobre aqui nos próximos dias.

      Obrigado pela visita!

      1. Olá Pedro. Estou querendo ir no Iraque também. Coincidentemente estou em Tbilisi, na Geórgia. Procurei seu post sobre o visto para brasileiros, mas não encontrei. A única informação que tenho é que teria de retirar meu visto na Jordânia, procede? Obrigado. Parabéns pelo conteúdo diferenciado. Sou do blog @eiametovivo e sempre que posso acompanho seus destinos.

        1. Opa! Tudo bom? Curtindo a Geórgia? Olha, com relação ao Iraque, entrei com meu outro passaporte, porque fui por terra. Com o passaporte brasileiro você podia entrar de avião via Erbil, sem visto. Isso só te permite ficar na região do Curdistão. Para ir à parte árabe do Iraque, a burocracia é muito grande. Mas eu recomendo ligar para a comissão do Curdistão em Londres.

  1. Tenho um fascínio pelo Iraque..

    Quando puder dê dicas de como visitar a parte árabe..

    Falei com você pelo Facebook e a maioria dos meus amigos são da parte árabe, triste issso hahahaha

    Obrigado

  2. Não da medo andar por este país? Tenho muita vontade de conhecer o Iraque mas tenho muito medo e parece que é muito difícil para turista entrar aí.

    1. Olá Eva! Olha, na verdade, quando estive lá, tudo parecia muito seguro. As pessoas são muito agradáveis e todo mundo na sua. Isso na parte onde estive, o Curdistão iraquiano. Já na parte árabe, a história é diferente. As pessoas são igualmente agradáveis, mas não existe segurança.

      No momento não recomendo que ninguém vá pra lá sem ter um motivo muito plausível. Tem mais posts sobre lá chegando, fique de olho! 🙂

  3. Olá pedro, gostaria de saber se o visto é emitido na hora quando a pessoa passa pela fronteira da turquia para o iraque, gostaria de ir pra lá visitar um amigo, estou planejando essa viagem faz 2 anos e agora estou quase conseguindo realizar, mas tem esse porem, eu sou visitante e por Arbil está quase impossivel a nao ser que seja uma viagem de negocios, entao estou pensando em ir pela turquia e lá viajarei de onibus até dohuk no Curdistão é lá meu destino final, mas nao sei se tenho que pedir visto no consulado do iraque na Jordânia primeiro ou se na hora da travessia eles emitem o visto, ouvi dizer que o Curdistão nao exige muito e que é uma região muito hospitaleira, me tire essa dúvida por favor, estou quase sem opções

    1. Oi Juliana, tudo bom? Se você só tem o passaporte brasileiro, você não poderá pedir o visto na chegada. Se você tiver alguma outra nacionalidade, você tem que entrar na Turquia com o mesmo passaporte que vai usar para entrar no Iraque – do contrário vai ter problemas também. Brasileiros têm que pedir visto no consulado do Iraque mais próximo. Mas um conselho, se me permite, este não é o momento certo pra visitar o Curdistão, pois embora as coisas lá especificamente estejam sob controle, a situação na região está muito volátil e tudo pode mudar de uma hora pra outra.

  4. Converso com um Curdo pela internet, ele é bem agradável, só que eu tinha um pouco de receio de falar com ele, por ter uma cultura tão diferente da minha, mas, ele é bem conectado com o mundo ocidental, acho que sou uma atração quando ele me ver, pois faz questão de mostrar os parentes dele pela câmara. Isso quebrou aquele preconceito criado por medo que eu tinha por essa região. Devemos mesmo amar a todos de qualquer parte do mundo.

  5. Boa noite Pedro.
    Li um post seu do dia 24.11.13 falando sobre de como entrar no Iraque com o passaporte brasileiro, que você faria um post falando de todas as informações.
    Nao estou conseguindo encontrar esse post.
    você poderia responder no meu e-mail por favor?

  6. Ola pedro, até agora nao encontrei ninguém que fosse para o iraque, tenho amigos lá e penso em visitar mas tenho receio e estou esperando 2017 chegar pra começar a planejar pois ouvi dizer q as coisas estap tensas lá, eu nao vou pra parte arabe mas mesmp assim, vou esperar. Outro problema é a questão do visto, nossa, como é difícil visto pra lá e pra quem vem do Iraque pro Brasil, tem q ter muita paciência pelas coisas q li por aí. Admiro sua coragem, pois Iraque nao é pra qualquer um nao, tem q ter coragem mesmo e dinheiro né? Pq os hotéis furam os olhos dos estrangeiros pelo q andei vendo.

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