Como alguns de vocês sabem, moro fora do Brasil há muito tempo. Treze anos pra ser mais preciso. Costumo voltar à terrinha uma vez por ano, e cada vez que venho, me surpreendo com algo. Uma vez com os estilos musicais da moda – quase tive um ataque cardíaco quando vi os carinhas dançando o tal to arrocha! -, outra com as gíria da novela, etc.
Mas algo que tem me incomodado muito é a influência do inglês na linguagem do dia a dia. Ok, estudei Letras Inglês, fui professor do idioma, moro há anos em países de língua inglesa (Inglaterra e Austrália). Mas não acho que devemos simplesmente importar toda e qualquer palavrinha só por preguiça de usar a nossa, ou talvez pra parecer mais descolados.
Neste ponto, estou completamente de acordo com a Espanha, onde a influência do anglicismo é mínima, já que eles utilizam palavras espanholas para quase tudo, como por exemplo ratón em vez de mouse, correo electrónico para e-mail, tableta para tablet. Ah, o tablet! Ou melhor, tábletchi, como pronunciam aqui, né?
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| O que aconteceu com a PIPOCA? |
Quando num vôo da Azul, meu ouvido doeu quando a comissária de bordo me ofereceu um isnéqui
(snack) em vez de lanche, e uma das opções era cuqui
(cookie), e não um biscoito doce. Num supermercado, vendiam
popcorn. O que? O que tem de mal com a palavra pipoca?? A princípio pensei que esse fosse a marca do produto, mas concluí que estavam realmente chamando nossa pipoquinha pelo nome em inglês.
Numa outra situação, uma amiga me disse que estava usando isníquers (sneakers), um calçado que nada tem a ver com o que a palavra quer dizer em inglês (tênis esportivo). Vendo a Record Internacional em Londres, quase chorei quando ouvi dizerem pétchi (pet) em vez de animal de estimação. E com isso vem o pet shop. Nesta viagem, pra minha surpresa, vi que os médicos estão usando a palavra burnout para descrever a estafa, aquela doença que se tem quando seu organismo está esgotado de energia devido ao excesso de trabalho. E o tal do róstel (hostel), o que houve com a palavra albergue?
Outra palavra que adotaram, mas criando um significado apenas para o brasileiro, é a tal da drugstore. Mas ué, drugstore é drogaria em inglês, né? Pelo visto não! No Brasil, a tal da drugstore é a drogaria que também vende outros produtos – tais como alimentos, produtos de limpeza – além de medicamentos. Ou seja, você vê uma loja se identificando como drogaria E drugstore. Alguém me ajude, por favor!
E então, gente, vocês acham que estou sendo chato, pedante, ou concordam? Vocês utilizam muitos anglicismos, além daqueles da área de informática? Quais são eles?
Sou meio purista nesse sentido. Assino embaixo. Parem de deturpar a nossa língua! Outro dia li “dica de beauté” em um blog. Quase enfartei.
Oi Thiago! Pois é, é muita coisa desnecessária que se vê por aí. Obrigado pela visita!
Pedro, agradeço a visita.
Temos algo em comum, também sou fissurado em viagens.
Aproveitei e li seu post (postagem, eu sei hahahha) e concordo com você. A brasilidade da nossa língua esta cada vez mais escassa. A -má- influencia dos EUA, é principal problema. A mania do brasileiro achar mais legal o outro do que a sí mesmo, dá nisso.
Agradeço muito a visita e quem sabe a gente nao se encontre no meio desse mundo, em um lounge ou num ferry-boat
Olá, Pedro! Estou passando para dizer que seu blog é simplesmente fantástico!! Também já não moro no Brasil desde 2008. Foram 6 anos de Japão e agora, já quase 3 de Índia. Também amo viajar e, como você, também “sento e choro” quando vejo o falecimento do nosso português. Trabalho com traduções e a cada dia me deparo com erros absurdos de português, cometidos por pessoas que cursaram uma universidade!!!
Como bos anglicismos, o primeiro choque foi ainda quando morava no Rio de Janeiro e um aluno meu me vira e diz: -“Nossa, professora!Isso aqui ruleia!!” . Foi aí que eu entendi que ele estava usando a expressão inglesa “it rules” adaptada (muito mal, por sinal), ao nosso idioma.
No mais, sucesso e tudo de bom!
Oi Juliana, tudo bom? Obrigado pela visita e pelos elogios! 🙂
Três anos morando na Índia? Em que lugar? Estive aí em março e gostei muito, mas não sei se teria forças pra três anos. 🙂 Com relação à nossa língua, realmente me entristece cada vez que vou ao Brasil e vejo que estão incorporando palavras do inglês ao nosso dia a dia. Até entendo quando são palavras novas, para as quais não temos um equivalente em português. Mas acho que substituir palavras que sempre usamos simplesmente porque é legal usar o inglês, te faz parecer mais culto, ou superior, de um mau gosto extremo.
Volte mais! Sucesso pra você também, e tudo de bom!
Acho ruim esse estrangeirismo fajuto que os brasileiros gostam de usar…porém faz parte da nossa cultura tudo isso.
Parabéns pelo artigo, realmente esse assunto e lamentável, e piora a cada dia.
Adorei seu site
Parabens