A princípio, quando planejava essa viagem, eu queria ir apenas à Moldávia e à Ucrânia. Mas como as passagens só de ida de Londres à Moldávia estavam caras demais, decidi por um voo a Cluj-Napoca, a maior cidade da Transilvânia, na Romênia, e dali fazer o trajeto por terra à Chisinau (pronucniado quichinau), capital moldávia. A vantagem, claro era um preço três vezes mais barato, e a possibilidade de passar uns dias em Cluj também.
A idéia era pegar um ônibus noturno na Romênia e chegar em Chisinau de manhãzinha, pra aproveitar ao máximo. No final, como nevou durante minha estadia na Romênia, mudei de idéia e decidi por um trem diurno para, assim, aproveitar a paisagem nevada, sobre a qual falei no post anterior.
A estação de trem de Cluj-Napoca está localizada a uns 15 minutos a pé do bairro antigo. Chegando lá, vi que as coisas não seriam tão fáceis. As senhoras que trabalham nos guichês de passagem eram “tão bem informadas” que não sabiam se havia trem direto a Chisinau ou não. É importante ter muito cuidado, pois na Romênia há uma cidade com nome parecido, Chisineu-Cris (fácil de confundir com Chisinau) e quase me venderam uma passagem pra essa cidade!
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TRANSFER DO AEROPORTO || VOOS BARATOS |
Meu trem saiu às 9:12 da manhã, com chegada prevista em Iaşi às 6:12 da tarde. Fiquei sabendo que havia um trem de lá pra Ungheni, do lado moldávio da fronteira. A passagem em segunda classe custou 85 lei, cerca de USD20 ou R$40. A segunda classe consiste em cabines com seis assentos e é bem confortável. A primeira classe é em vagão normal, com fileiras de dois e um assento de cada lado.
A paisagem durante a viagem era realmente fantástica. Branquinha e o céu mudava de tom, ora branco, ora acinzentado, ora azul limpinho. Eu compartilhei a cabine com dois romenos: um senhor idoso, que desceu a poucas horas de Cluj-Napoca, e um jovem que vinha de uma passagem mal sucedida pela França, aonde foi em busca de uma vida melhor e acabou com trabalho quase escravo, ganhando menos do que ganharia em seu país. O trem não tem restaurante, e embora os funcionários do trem desciam a cada parada pra fumar, não é permitido aos passageiros descer em nenhuma estação. Então ouvir a história desse cara e trocar idéias com ele, que que falava um francês truncado, ao mesmo tempo me tocou, e também ajudou a passar o tempo.
Chegamos a Iaşi às 6:15 da tarde e o trem a Ungheni já estava pra sair. Os funcionários não me deixaram embarcar sem meu ticket, então tive que correr ao guichê, e ali me deparei mais uma vez com a ineficiência e desinteresse das funcionárias. Fui a um guichê e me mandaram a outro, quando disse aonde queria ir. No outro guichê a senhora me disse que o próximo trem a Ungheni sairia às 3:17 da manhã. Sem chance! De maneira alguma eu queria ficar plantado ali esperando o próximo trem, após me fazerem perder o das 6:20…
Procurando alternativas, comecei a dar voltas pela estação e do lado de fora vi uma placa com os horários dos trens partindo de Iaşi a Ungheni. Na placa dizia que havia um trem às 8:25 da noite. Tirei uma foto da placa e mostrei a outra senhora no guichê, já que a que lidava com passagens internacionais estava batendo papo com outra e me ignorou. A senhora confirmou que esse trem não existia (como não?) e que o próximo trem sairia às 2:50 da manhã (não às 3:17 como sua colega me havia dito).
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| Estacionamento em frente à estação de Iaşi |
Diante de tanta informação desencontrada, resolvi ir à pequena estação rodoviária, que fica do outro lado da rua, mas o último ônibus do dia tinha saído às 5:30 da tarde. A estação não tem lojas dentro, mas do lado de fora tem várias lojinhas vendendo sanduíches e também um McDonalds, onde usei o wi-fi gratuito.Após fazer meu check-in no Facebook e 4Square 🙂 decidi procurar um taxista que me levaria a Chisinau, ou pelo menos ao lado moldávio da fronteira. Encontrei um que falava meio em inglês, meio em alemão, negociamos e ele me levou à fronteira em Sculeni. Não é possível atrevessar a fronteira a pé ou de bicicleta.
Os oficiais da fronteira não sabiam quando passaria um ônibus ou mesmo se havia ônibus atravessando a fronteira… Sem comentários!… Após meia hora esperando, meu taxista perguntou a um motorista aonde ele ia e ele ia exatamente a Chisinau. O senhor só falava romeno e não quis me dizer quanto me cobraria pra me levar, mas entre esperar até as três da manhã e pagar lidar com um espertinho, preferi arriscar com o espertinho.
Entrei no carro dele, e passamos pela imigração romena. Foi tudo muito tranquilo e rápido com o passaporte azulzinho. Brasileiros precisam de visto para a Moldávia, assim que do outro lado troquei os passaportes. Do outro lado da fronteira, na Moldávia, os oficiais foram também super tranquilos e logo estávamos na estrada.
Ele me deixou na praça principal de Chisinau, e agora só me restava procurar um caixa eletrônico pra obter algumas lei moldávias e logo peguei um táxi ao meu hotel.
Bem, foram 14 horas no total, lidando com funcionários desinformados e desinteressados, e encontrando gente interessante pelo caminho.
Agora era aproveitar a cidade e me preparar para, em alguns dias, viajar de trem a Odessa, na Ucrânia, atravessando a República da Transnistria, um país não reconhecido pela ONU.
Rezem por mim, e fiquem ligados, minha gente!
Mas então, qual é a maneira mais fácil de se viajar entre Cluj-Napoca e Chisinau?
Minha única viagem entre Cluj e Chisinau foi a que acabo de contar. Mas pelas pesquisas que fiz antes de sair de casa, a melhor opção é o ônibus que sai de Cluj-Napoca às 6 da tarde e chega em Chisinau às 8 da manhã.








MEU PAIIIII, TU PADECEU NESSA VIAGEM, Eraaaas, fiquei aflita só de leeer, no quesito atendimento de “qualidade” eles estão um grau a baixo do Brasil! Rs.
Amo seus posts.
Beijos
Mariana Furtado
Fiz uma viagem semelhante a esta em 2012. Sai da cidade de Brasov(Romênia)para Iasi(Romênia, na fronteira com a Moldávia). Nesta cidade, no centro tem uma praça que os carros e vans fazem lotação para a a capital da Moldávia. Custa em torno de 10 Euros, dos turistas tentam cobrar bem mais.
Dormi 2 noites em Chisinau e fui para a Tranistria(Tiraspol -capital) dormi uma noite e fui para Odessa depois fui para a capital da Ucrânia e para a Bielorússia. Tudo de ônibus lotação e van.
Antes eu ja estava vindo da Sérvia, Cosovo, Macedônia e Bulgaria(aqui peguei um terremoto de 6,8 graus). Antes da Sérvia, também estive(namesma viagem), na Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte, República da Irlanda e Pais de Gales.
Oi Elias! Pois então nossa viagem foi bem parecida. Gosto bastante dessa região. 🙂